Os impactos do novo coronavírus (covid-19) na logística de abastecimento

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*Prof. Me Adriano Aparecido de Oliveira –     No dia 17 de março, o Brasil registrou a sua primeira morte em função da do novo coronavírus (covid-19). No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, são centenas de pessoas infectadas e milhares que aguardam o resultado do exame. Mas como este cenário impacta sobre a logística de suprimentos? Faltará produto? Devemos correr para os supermercados?

A resposta para as perguntas acima é não. Na verdade, existe um aumento no movimento de produtos, principalmente nos supermercados. Entretanto, as empresas estão preparadas para realizar o reabastecimento, mas, o que pode acontecer, é a demora na reposição das gôndolas de produtos, como o que está ocorrendo com o álcool gel na maioria dos Estados.

No país, temos uma cadeia de abastecimento de ‘bens de consumo rápido’ muito eficiente, por meio de um relacionamento colaborativo e muito próximo aos fornecedores, com previsão de reposição rápida e, assim estamos preparados para lidar com o cenário atual.

Porém, o comércio popular já sente a alta nos preços dos produtos e a queda nos estoques, dentre os produtos mais procurados estão itens de higiene, álcool em gel, desinfetantes e produtos congelados. Produtos esses que estão sendo comprados rapidamente pelos clientes com medo da pandemia do coronavírus.

Em uma rápida visita ao supermercado, foi possível ver consumidores com muitos carrinhos levando caixas de óleo e leite fechadas, papel higiênico em demasia, enlatados dentre outros.

Entretanto, as redes de supermercados ainda não reportaram falhas de reabastecimento, porém, do ponto de vista logístico se esta situação permanecer em médio e em longo prazo pode se tornar uma situação preocupante em função do desabastecimento e aumento circunstancial nos preços, visto que as indústrias podem não conseguir suprir as necessidades em razão de muitos fatores que envolve a própria capacidade produtiva até a infraestrutura logística.

E como se preparar para isso? Neste momento, é importante que o cliente tenha consciência e não compre nada além do necessário. Assim todos conseguirão suprir as suas necessidades de rotina sem que seja de fato necessário estocar alimentos, pois compromete o planejamento da cadeia de abastecimento.

No mercado externo, existe um cenário diferente, principalmente no que tange a produtos provenientes do exterior, e isto pode afetar a cadeia de suprimentos principalmente nas próximas semanas. Há cargas de produtos, matéria prima, vestuários a caminho do Brasil e, caso esses produtos demorem em chegar, as empresas vão depender do seu volume de estoques.

Neste sentido, as cadeias globais de abastecimentos de produtos que são industrializados e exportados, inclusive para o Brasil, podem sofrer impacto direto, como o desabastecimento. Na teoria, as empresas devem ter um planejamento para lidar com a gestão de fornecedores e realizar um mapeamento dos produtos mais críticos para ter um plano de ação emergencial.

A situação atual não é uma novidade, as empresas já tinham as informações desde as duas primeiras semanas de janeiro de 2020. Desta forma, houve tempo para planejar e lidar com este cenário.

É fato que essa epidemia nos traz um ensinamento, ou seja, a importância de um sistema eficaz de monitoramento dos fornecedores e gestão de riscos. Mas a minha dica é: não se desespere para correr no mercado para estocar produtos, pois dificilmente vão faltar. O que pode ocorrer é a demora na reposição e as empresas com a sua cadeia de abastecimento estão se preparando para atender essa demanda. Muita calma nesta hora e cuidar uns dos outros!

*Prof. Me Adriano Aparecido de Oliveira – Professor dos cursos de Logística e Administração

 

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