Tecnologia muda o cenário nas estradas do País

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*Bernardo Lage     –      Um país com dimensões continentais, como o Brasil, dependente de sua malha rodoviária para movimentação da produção, enfrenta e enfrentará por um bom tempo grandes desafios na contratação e gestão de seus fretes rodoviários. A cadeia produtiva, dependente do transporte rodoviário de cargas, enfrenta problemas que perduram há décadas, desde o sub investimento na manutenção das rodovias aos entraves e ineficiências provocados pelo distanciamento regulatório do setor às suas necessidades. O setor, em parte, tem características que permanecem inalteradas há mais de 50 anos, principalmente na busca e contratação de caminhoneiros autônomos para a realização de fretes em transportadoras e embarcadores.

 

Pensar que no ano de 2018, grandes empresas do setor, que faturam bilhões de reais, dependem da caderneta de um agenciador de cargas ou de suas planilhas de cadastro, para contratar um frete, é como se ainda dependêssemos de puxar o afogador dos nossos carros, aguardando o motor esquentar em dias frios. Soluções em transporte, roteirização e rastreamento de cargas surgiram e continuam surgindo, em um curto espaço de tempo, tornando-se cada vez mais aderentes às rotinas das pessoas e empresas, de todas as classes e tamanhos.

Os aplicativos de frete rodoviário vieram para otimizar o processo de contratação e acompanhamento do frete, reduzindo custos e gerando mais dinamismo e segurança. Pensar que um caminhoneiro hoje em dia não precisa acordar de madrugada, estacionar seu caminhão em um ponto de concentração de transportadoras e agenciadores de carga, e ter que aguardar por horas a obtenção de um novo frete, podendo apenas com um click se colocar disponível no aplicativo e a partir de então passar a ser assediado pelas transportadoras, é, sem sombra de dúvidas, uma grande revolução para toda essa cadeia produtiva e na vida das pessoas que a integram. É a tecnologia otimizando processos, corrigindo ineficiências, e, principalmente, levando qualidade de vida e valorização às pessoas.

Pesquisas do setor apontam que mais de 80% dos caminhoneiros do País têm acesso à internet via smartphone. Por este motivo a utilização dos aplicativos de frete, por caminhoneiros, transportadoras e embarcadores, é uma realidade e um caminho sem volta. A tecnologia à disposição do setor já não é mais problema, assim como o acesso à ela, com soluções disponíveis que abrangem todo território nacional e que em alguns casos são gratuitas.

A figura do agenciador de cargas é antiga no setor e a sua necessidade sempre foi motivo de insatisfação de transportadoras e caminhoneiros, visto que sua atuação se dá a partir da especulação em relação ao preço do frete. O agenciador de cargas nada mais é do que um detentor de informação da origem do frete. Com a disponibilização destes fretes em uma plataforma digital no modelo de uma central de cargas a sua necessidade teoricamente seria extinta.

Porém, o que vimos foi que esta parte da cadeia se adaptou a esse processo de evolução, atuando ativamente, da mesma forma especulativa, como usuário dos aplicativos baseados em central de cargas. Os aplicativos de primeira geração, por assim dizer, trouxeram uma série de vantagens ao setor, porém não conseguiram acabar com a figura do agenciador de cargas, ensejando a necessidade de evolução do modus operandi.

A solução encontrada pela segunda geração de aplicativos de carga foi investir em tecnologias de ponta que permitissem realizar a ligação direta entre transportadoras e caminhoneiros, sem a exposição da carga e da rota do frete. Para isso foram empregados soluções e investimentos em infraestrutura de banco de dados, roteirização e programação, de forma que a transportadora pudesse encontrar, em todo o território nacional, um caminhoneiro proprietário de um equipamento (caminhão) com as características necessárias a realização do frete pretendido. Esta conexão direta entre transportadoras e caminhoneiros tornou o processo muito mais dinâmico para toda a cadeia, aumentou a opções de contratação de ambas as partes e ainda reduziu o custo da contratação.

A evolução dos aplicativos de carga deverá caminhar para muito além do que somente otimizar o processo de contratação do frete, passando a oferecer aos usuários uma série de serviços e benefícios financeiros e inclusão social. Em um país onde esses serviços ainda estão à margem de grande parte da população, no universo de mais de um milhão e meio de caminhoneiros, em sua grande maioria das classes C e D, geradores de consumo e renda, sendo parte essencial para a nossa cadeia produtiva, a sua valorização é fundamental para o crescimento e desenvolvimento do Brasil.

A velha frase “se os caminhoneiros quiserem, param o Brasil”, neste momento de retomada do crescimento econômico, mais do que nunca deve ser levada em consideração se quisermos realmente avançar de forma sustentável e competitiva. A tecnologia já fez sua parte!

*Bernardo LageSócio-fundador da Pega Carga

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