Trabalho em Equipe: Por que é tão Difícil? (Parte I)

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* Carlos Basso    –    Hoje, mais do que nunca o desempenho das organizações depende da atuação dos grupos de trabalho, pois, sozinhos não geramos os melhores resultados. Estes podem ser mais facilmente obtidos, com menor custo, maior rapidez e melhor produtividade se a atuação dos grupos privilegiar o trabalho em equipe.

Segundo Bodwell e Mankins (2013), “atingir resultados num ambiente desafiador como o de hoje, exige um nível de prontidão, rapidez e qualidade que está além do alcance da performance individual. Apenas o alinhamento de talentos e forças proporcionado pelas equipes é capaz de dar essa vantagem competitiva à empresa”.

GRUPO X EQUIPE – QUAL A DIFERENÇA?

Entendemos que GRUPO de trabalho é um conjunto de pessoas com objetivos comuns e, em geral, se reúnem por alguma afinidade. O respeito e os benefícios psicológicos que os membros encontram no grupo produzem resultados de aceitáveis a bons. Grupos até tem líderes, porém não há uma meta comum a qual todos compartilham os mesmos esforços. Grupos podem até gerar resultados de consideráveis a bons.

Numa empresa, o fato de as pessoas trabalharem no mesmo endereço, na mesma empresa ou usarem o mesmo crachá, as torna um grupo de trabalho. Pessoas que se identificam como de um mesmo departamento/ área, também representam grupos de trabalhos. Mas isso não assegura que esse grupo de pessoas atue em equipe.

Já, o trabalho em EQUIPE sempre será resultante de um grupo de pessoas atuando em prol de objetivos comuns, no cumprimento de metas específicas, contemplando o uso e sinergia das competências individuais, exercitando o princípio da interdependência e atuando em respeito aos valores da equipe. No verdadeiro trabalho em equipe prevalece o famoso “um por todos e todos por um”. Vale lembrar que, embora o trabalho ocorra em equipe, a responsabilidade é individual, ou seja, é necessário que cada um faça a sua parte.

Toda equipe é um grupo, porém nem todo grupo é uma equipe.

VALORES PESSOAIS

Em minhas atividades focadas no desenvolvimento e aprimoramento do trabalho em equipe em dezenas de organizações, observo que o fator crucial para unir as pessoas em torno de objetivos comuns é a comunhão de valores.

Todos sabemos que valores são universais, são significados que atrelamos às coisas. Nossos valores mais antigos giram em torno de pessoas que cuidaram de nós. Inicia na família, se estende em torno do que aprendemos na escola, na igreja, na comunidade e nos relacionamentos em geral. Os valores são motivadores e cada um de nós já os elegeu ao longo da vida.

Até mesmo as organizações em que o profissional tenha trabalhado pode influenciar na escolha de seus valores. Valores são conceitos de certo e de errado, de bom e de mau, de verdadeiro e de falso. Guiamos nossos comportamentos pelo respeito e prática de nossos valores.

Ocorre que, num grupo de trabalho, reunimos pessoas de diferentes origens, formação escolar, crença religiosa e que, portanto, não necessariamente são guiadas pelos mesmos valores. O desafio agora é fazê-las atuarem verdadeiramente unidas, respeitando e praticando os valores comuns eleitos pela equipe.

VALORES NA EQUIPE – PACTO

As empresas, para serem eficazes, precisam de algum acordo em relação ao que valorizam. Elas precisam eleger e transformar os valores organizacionais, em políticas, práticas e padrões de comportamento. Portanto, valores organizacionais são conjuntos de ações que a organização valoriza e espera que seus profissionais respeitem e pratiquem no exercício da missão.

Desenvolver o trabalho em equipe, exige do gestor a construção de um pacto em torno dos valores que deve guiar as ações da equipe. Inspirar-se nos valores declarados pela empresa é um bom caminho, no entanto, não é preciso se limitar a eles.

Se todos no grupo tivessem, ou se guiassem pelos mesmos valores, seria fácil trabalhar em equipe, mas existe uma diversidade de crenças, uma vez que as pessoas têm origens e expectativas diferentes. É preciso que os membros da equipe comunguem os valores da organização. Isso não significa que cada um tem que abrir mão de seus valores pessoais, significa sim, respeitar e praticar os valores da organização.

E quando os valores da organização se chocam com os valores pessoais de determinado profissional, me perguntam alguns. Se o profissional não está de acordo, logo, ele não respeita e não pratica determinado valor, o que em geral vai resultar em problemas para construção de sua carreira na empresa, uma vez que estará em confronto com os demais membros. Outra opção, e essa pode parecer radical, é se desvincular da empresa. Neste caso, o profissional terá que avaliar o custo desta opção.

O que tenho visto nas organizações é que, em geral, as empresas declaram seus valores, no entanto, nem sempre os mesmos são respeitados e praticados e, quando isso ocorre, falta uma atuação mais intensa de valorização daquilo que todos devem respeitar. Afirmo isso pois os valores devem ser respeitados e praticados de cima para baixo. Começando pelo principal executivo, diretores, gerentes e chegando aos demais níveis hierárquicos. Se os que estão acima, do ponto de vista da hierarquia não respeitam e não praticam, como podemos esperar essa prática dos que estão abaixo?

Portanto, para nos ajudar a trabalhar melhor em equipe e a tomar decisões que levem ao compromisso e à ação, é necessário reconhecer os valores que influenciam o processo de tomada de decisão, que guiam os relacionamentos, e assim, encontrar formas de priorizar e clarificar os valores selecionados.

Trabalhar a questão dos valores organizacionais, iniciando por sua sensibilização com todos os membros para criar sinergia, é ponto fundamental se queremos que os membros das áreas, departamentos e da organização de modo geral trabalhem em equipe.

ESPÍRITO DE EQUIPE

Para que o trabalho ocorra privilegiando o espírito de equipe devemos sempre considerar que uma equipe é:

  • Um grupo de pessoas atuando de forma harmônica para alcançar metas e objetivos específicos;
  • Um grupo de pessoas com elevado grau de interdependência;
  • Um grupo de pessoas trabalhando, aprendendo e crescendo interdependentemente;
  • Um grupo de pessoas constituído essencialmente sobre as competências de seus integrantes;
  • Um grupo de pessoas que chegam ao consenso sobre uma meta e concordam que a única maneira de alcançar, é trabalhando estreitamente unidos;
  • Um grupo de pessoas dispostas a tornar comum o respeito e a prática de valores por todos os seus membros;
  • Um grupo de pessoas capazes de se tolerar o bastante para trabalharem estreitamente unidos.

Existem grupos com metas comuns que, no entanto, não são equipes. É preciso que reconheçam o princípio da interdependência. Grupos podem até ser equipes de trabalho, mas não necessariamente o trabalho ocorre em equipe. A chave é o envolvimento, participação e comprometimento de todos para os resultados.

O desenvolvimento do trabalho em equipe deve contemplar as competências individuais necessárias, o respeito aos valores da equipe, a interação e, especialmente, o reconhecimento da interdependência entre seus membros no atingimento dos resultados.

Este espírito no trabalho, deve favorecer ainda os resultados das outras equipes e da organização como um todo. É isso que torna o trabalho desse grupo um verdadeiro trabalho em equipe.

A CR BASSO é especialista em educação corporativa e ministra treinamentos para líderes e membros de equipes como oportunidade de ampliar o desempenho e resultados.

Apoiamos nossos trabalhos realizando Diagnósticos de Desenvolvimento de Equipes composto de dois instrumentos: entrevistas, ouvindo líderes e amostra de liderados, além disso, aplicamos um questionário modelo detectando as competências mais valorizadas na equipe, o que permite identificar pontos fortes e pontos de desenvolvimento de forma quantificável.

O diagnóstico funciona como um raio x da atuação dos grupos de trabalho na empresa diagnosticada e ele permite construir o programa para o treinamento da equipe mais alinhado às carências detectadas tanto na visão dos líderes como dos liderados. Como nosso diagnóstico, será possível à empresa fazer uma análise comparativa de resultados antes e depois do treinamento. Consulte nossos consultores para saber mais sobre o diagnóstico

*Carlos Basso – Consultor organizacional e de recursos humanos que há mais de vinte anos acumula experiências de consultoria e de treinamento em Desenvolvimento de Lideranças, Estratégias de Negociação, Comunicação e Feedback, Gestão Estratégica de Negócios, Gestão de Pessoas, Estratégias com Clientes, Team Building, Gestão em RH, Planejamento Estratégico e Gestão por Indicadores – BSC, entre outros temas. Administrador de Empresas com MBA em Marketing pelo IBMEC-SP. Executive and Professional Coach pela SBCoaching. Especializações em Finanças Corporativas pela FGV-SP e New York University-NY. Mentor e coordenador do Programa de Líderes PDL-Plus. Autor de dezenas de Manuais Técnicos sobre o ambiente Corporativo. Coautor dos Livros: Excelência ao Cliente; Gestão do Tempo; Equipes de Alta Performance pela Editora SER+. Escreve regularmente artigos sobre relações profissionais e empresariais. Durante 15 anos, acumulou experiências atuando em cargos estratégicos no mercado financeiro. Especialista no desenvolvimento e apresentação de treinamentos, programas de desenvolvimento de líderes e palestras a executivos e demais profissionais, bem como, por estruturar e conduzir projetos de consultoria tanto organizacional como de recursos humanos em organizações de todo o Brasil. Foi agraciado com o título de Empreendedor em RH 2015, pela Revista Gestão & RH.

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