Transporte de Cargas Excedentes: por que a maioria das empresas não consegue cumprir os prazos?

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*João B, Dominici   –   A maioria das transportadoras de cargas especiais cobra o frete com base em diárias. Ou seja, com base na quantidade de dias estimados para a execução do transporte.

Muitas delas admitem, contudo, que raramente conseguem executar a viagem na quantidade exata de diárias estimada

E aqui cabe a pergunta; por que isso acontece?

Para 8 entre dez pessoas ligadas a essas empresas, e aqui cabe acentuar que estamos falando de empresas especializadas no transporte de máquinas e equipamentos superpesados e/ou superdimensionados, a culpa é dos órgãos rodoviários, responsáveis pela concessão de AET’s, das concessionárias de rodovias e das polícias rodoviárias.

Reclamam do excesso de burocracia, do não cumprimentos dos prazos regulamentares e, no caso das polícias, da falta de contingente e de prioridade para atendimento às demandas desse segmento.

Mas será que essa é a única razão para todos esses problemas?

Não há como negar que o agendamento de escolta policial talvez seja atualmente o principal gargalo a essa modalidade de transporte.

No caso das rodovias federais, o prazo procedimental para agendamento da escolta da PRF é de 5 dias úteis, a depender da disponibilidade de viaturas e contingente que pode demandar prazo igual ou superior, o que realmente é um problema para quem depende desse recurso.

Mas também não há como negar que a falta de planejamento e principalmente da adequada gestão do processo pelas transportadoras agrava essa situação.

E são muitas as falhas que podem e devem ser evitadas, entre as mais importantes:

  • Falha no planejamento para fazer com que os prazos legais para obtenção da(s) AET(s) e demais ações necessárias, como o agendamento de escolta policial, sejam coincidentes;
  • Falta de acompanhamento para cobrança, na hora certa, de possíveis descumprimentos pelos órgãos dos prazos regulamentares, evitando que os mesmos comprometam o planejamento;
    • Erros documentais ou de informações-chave, que podem conduzir o processo à estaca zero;
  • Falta de comunicação prévia com as autoridades responsáveis pela concessão de AET’s, programação das travessias e operacionalização do transporte;
  • Erros na programação dos veículos;
  • Falha ou atrasos no recolhimento da taxas e tarifas;
  • Falta de coordenação no processo de obtenção de AET’s e de programação de travessias em transportes que envolvem múltiplos órgãos, polícias e concessionárias de rodovias;
  • Pesos e dimensões na AET diferentes dos aferidos pela fiscalização;
  • Inexistência ou falha na amarração da carga;
  • Problemas com a fiscalização do excesso de peso;
  • Problemas com a documentação do motorista;
  • Problemas com a documentação dos veículos;
  • Motoristas sem o curso de carga indivisível;
  • Problemas com os requisitos a serem atendidos pelos motoristas e veículos de escolta credenciada;
  • Problemas com requisitos obrigatórios dos veículos como para-choques, para-barros, plaquetas, iluminação, placa de sinalização traseira, etc.
  • Não acionamento de concessionária de serviços públicos de energia, telefonia, entre outros

 

Como mitigar esses problemas?

Mudando o foco da gestão do transporte de cargas excedentes, que hoje é totalente voltado para a obtenção das licenças especiais de trânsito, as AET’s. Ter AET é importante e, aliás, obrigatório, mas não basta para garantir que o transporte preserve a integridade da carga, o respeito aos prazos contratados, o valor do frete combinado e, principalmente, lucro para a transportadora.

*João B, Dominici, engenheiro especializado em trânsito e transporte.

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